Reportagem do BMD | com morte de bebê, família acusa negligência médica no Hospital Municipal Esaú Matos

Fotos: BLOG DO ANDERSON

A morte do recém-nascido John Henrique no Hospital Municipal Esaú Matos, mantido pela Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista, gerou comoção e revolta. A família acusa o Hospital negligência médica, alegando que houve demora na decisão pela cesariana, o que teria resultado na morte do bebê. A mãe deu entrada no Hospital na noite de quinta-feira (20), com 40 semanas de gestação, após ser encaminhada pela Unidade de saúde João Melo. Segundo a família, foram quase 40 horas de indução ao parto normal por meio de medicamentos, mas sem sucesso. A cesariana só foi realizada no fim da tarde de sábado, quando os médicos constataram que o bebê era grande e que a gestante não apresentava dilatação suficiente. No atestado de óbito, constam quatro causas para a morte do bebê: choque séptico, hemorragia pulmonar, hipertensão pulmonar e síndrome de aspiração de mecônio, uma condição que ocorre quando o recém-nascido inala mecônio antes ou durante o parto, o que pode levar a complicações graves. O caso foi registrado em boletim de ocorrência, e a família espera que medidas sejam tomadas para evitar novas tragédias. Em nota ao BLOG DO ANDERSON, “a Fundação Pública de Saúde de Vitória da Conquista lamenta profundamente o falecimento do recém-nascido ocorrido no último sábado, 22 de março, no Hospital Municipal Esaú Matos. Manifestamos nossa solidariedade à família e reafirmamos o compromisso em oferecer um atendimento humanizado e de excelência à população. É importante esclarecer que a paciente deu entrada no hospital na quinta-feira, 20 de março, encaminhada de sua unidade básica de saúde para avaliação de indução do parto.

O procedimento foi iniciado e conduzido de acordo com o protocolo institucional, elaborado e atualizado anualmente com base nas evidências científicas mais atuais. Durante todo o período em que esteve na unidade hospitalar, a paciente recebeu assistência médica integral, sendo acompanhada por uma equipe multiprofissional qualificada. Como não apresentava sinais de trabalho de parto ativo, foi adotada a indução com o uso de misoprostol, um procedimento seguro, recomendado pelo Ministério da Saúde e aplicado em casos em que não há indicação imediata de cesariana. Essa conduta visa garantir a segurança da mãe e do bebê, seguindo as melhores práticas obstétricas. Sem evolução satisfatória, a cesariana foi realizada após indicação médica, priorizando a segurança e o bem-estar da mãe e do bebê.

É importante destacar que, embora necessário em algumas situações, trata-se de um procedimento cirúrgico que envolve riscos para ambos e, por isso, só é realizado quando há indicação real. O bebê nasceu necessitando de cuidados intensivos, que foram prestados em sala cirúrgica pelo neonatologista e, em seguida, foi encaminhado à UTI neonatal. No entanto, apesar de toda a assistência prestada, o recém-nascido evoluiu a óbito. Diante da denúncia sobre o caso, informamos que já foi iniciada uma investigação interna para esclarecer as circunstâncias do ocorrido. Reafirmamos nosso compromisso com a transparência e a responsabilidade na apuração dos fatos. Assim que a investigação for concluída, todas as informações serão divulgadas de forma clara e responsável. Ressaltamos que o Hospital Municipal Esaú Matos é referência em atendimento materno-infantil na região, especialmente no atendimento a gestantes de alto risco, sendo a única maternidade pública de Vitória da Conquista. Por esse motivo, a unidade enfrenta uma demanda elevada, recebendo pacientes de Vitória da Conquista e de diversos municípios da Bahia e do norte de Minas Gerais. Destacamos ainda que o hospital funciona em regime de porta aberta, o que significa que nenhuma gestante em necessidade de cuidados obstétricos ou clínicos é recusada. Em relação à sobrecarga no atendimento, a Secretaria Municipal de Saúde já foi informada sobre a necessidade de ampliação das portas de entrada no município, visando à redução da elevada demanda da unidade. Segundo a Secretaria, providências estão sendo tomadas junto ao Governo do Estado nesse sentido, uma vez que grande parte dos atendimentos são de municípios não pactuados com Vitória da Conquista, sem o devido repasse de recursos para essa assistência”.

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